Royce Gracie Jiu Jitsu Portugal

Na semana passada por razões profissionais tive de ir para o Algarve por uns dias. Como não queria ficar sem treinar perguntei ao Vita se ele conhecia algum sítio para aquelas bandas onde eu pudesse fazer um treininho… A resposta foi imediata ” – Telefona ao Jorge Remígio!”. – Assim fiz, liguei, apresentei-me e perguntei se podia dar um rolinha com eles.

Não podia ter sido mais bem recebido. Consequência do Verão, não houve aula propriamente dita, mas o Zé Pedro da Royce Gracie Portugal encarregou-se de me enquadrar nuns rolas de submission.

Ao fim de 30 minutos já estava mais do que estoirado, sentia-me bem não só pelo rola, mas pelo facto de ter sentido na pele a hospitalidade do Jiu Jitsu algarvio. É de pessoas como estas que o Jiu Jitsu precisa.

Obrigado malta.

By Zack

A esperança nunca morre…

Não há fórum sobre Jiu Jitsu em que não se fale sobre o quão subvalorizados estão os atletas de BJJ da alta roda. As queixas sobre falta de apoios e patrocínios e as teorias de que o Jiu Jitsu é o desporto de luta em maior expansão. Não digo que não, mas caros jiu jiteiros… A nossa Arte jamais atingirá a escala planetária que se lhe vaticina.

Tenhamos o Judo por exemplo, afinal de contas é a Arte mais próxima da nossa. Está implantado há décadas, tem um lobby fortíssimo, está nos Olímpicos, algumas provas dão na televisão e…e… pouco mais, não se pode dizer que o Judo sejam um fenómeno de popularidade fora dos meandros judocas.

E qual é a tendência do Judo? Menos chão e mais luta em pé. Porquê? Porque a mediatização do desporto implica movimentos bruscos, técnica televisionável, quedas, corpos pelo ar… show. No MMA se a luta vai ao chão e ali fica um bocado, a plateia começa a abrir a boca… Conseguem imaginar tentar-se impingir um campeonato de BJJ a um canal de televisão e os responsáveis depois assistirem a uma luta em que dois colegas nossos puxam da guarda 50/50? Nada mais aborrecido…

A nossa Arte será nossa, só nosso porque ninguém se vai interessar por ela. Eu não me importo, desde que não me a tirem… E quem é que saberia viver sem escutar de vez em quando “ – Praticas Jiu Quê?”

By Zack

Macuco Jiu Jitsu

O seminário de sábado passado, ministrado pelo faixa preta Raphael Macuco valeu bem a pena. O convidado aproveitou uma passagem por terras de nuestros hermanos, para a convite de Pedro Barcellos fazer um desviozinho pela nossa Academia.

Macuco passou duas ou três raspagens e variações e dois estrangulamentos, um deles totalmente desconhecido para mim e muito útil.

A atmosfera era óptima, a sala não estava muito cheia o que permitiu que o seminarista prestasse a devida atenção a todas as duplas.

By Zack

Faringite!

Estou com uma faringite e não devo conseguir ir treinar esta semana. Assim que o Vita me enviar as fotos (!!!!!) do seminário com o Raphael Macuco, eu relatarei o evento, que foi muito interessante.

By Zack

Seminário com Raphael Macuco

Este sábado às 17 horas no Pavilhão Dramático de Cascais, a equipa Sérgio Vita organiza um seminário de Jiu Jitsu e MMA com o Campeão do Mundo Raphael Macuco.

Perde o amor a 15 euros e COMPARECE!!!

By Zack

Teoria dos ciclos

Resolvi inserir uma imagem do Ronaldo “Jacaré” Souza neste post, porque o Jacaré é um dos lutadores que mais admiro e a mera tarefa de procurar na Net uma imagem deste multiplo Campeão do Mundo e da Europa melhora o meu estado de espírito.

Já todos lemos ou ouvimos falar que a aprendizagem no JJ é feita de altos e baixo. Uma fase ascendente em que sentimos que estamos a evoluir, em que as novas técnicas nos saem bem e em que o corpo corresponde às nossas acelerações… E uma fase de plateau, uma fase plana em que não “desaprendemos” JJ, mas em que ficamos com a sensação que estagnámos. Em que estamos a ir a direito em vez de irmos para cima. Tudo isto não passa de uma teoria, de um cliché que existe entre Jiu Jiteiros. Mas é algo que faz sentido e que muitos, senão todos, já experimentámos.

Não existem timmings para estas fases… qualquer uma delas pode durar dias ou semanas… e vão e vêm a um ritmo imprevisível.

Ontem, quase três meses depois de ter recebido a minha faixa azul, julgo ter iniciado a minha primeira fase de plateau desde que sou graduado. Saí do treino desanimado, desalentado, sem força anímica. Se lerem o post anterior a este verão que o treino até nem correu mal… Pelo estes ciclos só poderão tratar-se de algo psicológico.

Pelo que vou explanar aqui a Teoria Black Java dos Ciclos de Treino.

Aviso:  Validade desta teoria –» Nenhuma. É só uma Teoria.

Na nossa base semanal de treino, todos nós aprendemos técnicas novas, relembramos técnicas que já conhecíamos, incorporamos em técnicas que já conhecíamos pormenores novos e tentamos apreender toda uma estratégia posicional que deve conjugar o nosso biótipo, a nossa capacidade técnica e os princípios básicos do Jiu Jitsu.

O nosso processo de aprendizagem passa por uma absorção do nosso cérebro de tudo isto. Da mecanização das técnicas ao nivel neuromuscular e da retenção de toda um livraria de técnicas, estratégias e detalhes.

De tempos a tempos a “máquina” tem que fazer um reboot. Porque não é só o JJ que nos ocupa “espaço de disco” no cérebro, é o trabalho, a familía e espero eu, o Mundo.

No fundo o plateau não passa de uma pequena “lesão” no cérebro, uma “nódoa negra” indelével no cuore da nossa máquina mais precisa. Que demora mais ou menos tempo a passar. O tempo de recuperação da “lesão” é o tempo que a poeira demora a assentar. É por isso que depois de uma fase destas achamos que estamos a evoluir. Porque conseguimos absorver o contéudo que nos foi ensinado e estamos com espaço mental para abarcar novas técnicas, novos detalhes…

Esta é a minha teoria. É impossivel provar que estou errado eheheheheh

 

 

By Zack

Morre samurai, morre!

Ontem forcei-me a ir treinar. Não me estava a apetecer, mas eu sei que por vezes é nesses dias que saímos mais realizados do treino. Fui.

O Vita passou umas posições de armlock que são sempre importante relembrar e fomos rolar… Rolei devagarinho com dois adversários simpáticos, até esbarrar no Sérgio Canudo. É muito simpático da parte dele perder tempo comigo. 

Mas ontem fiquei a pensar se não serei velho demais para o Jiu Jitsu. Comecei a treinar já depois dos 30 anos. Será que existem muitos indivíduos que tenham chegado à faixa preta começando a treinar depois dos trinta? Se alguém ler isto e souber de algum, por favor deixe um comentário.

Interrogo-me se ainda terei força nos ligamentos, nos ossos, nos músculos, se ainda terei força anímica para recuperar das lesões. Interrogo-me por quanto tempo o corpo aguentará as constantes nódoas negras, as dores musculares.

 

 

By Zack

A herança nipónica

Depois de visto, é dificil esquecer o esgar de dor de Renzo Gracie quando viu o seu braço ser partido pelo demónio Sakuraba. Todos nos colocámos no lugar do brasileiro e pensamos o como deve ser horrivel e doloroso.  Há algo de nobre na mentalidade do “não bater”, mas também há algo de muito estúpido e suspeito que há mais de “muito estúpido” do que de “nobre” e porque imagino que os mais conservadores do pensamento jiu jiteiro já estejam a cuspir no monitor e a apagar o meu link dos seus Favoritos, passo já a justificar-me.

A dualidade Derrota-Desonra está muito alicerçada no pensamento japonês antigo em que o Samurai era um devoto do seu Senhor, por ele matava e por ele morria.  Lutavam até ao último homem e preferiam o suicídio à rendição. Esta lógica ultrapassou os tempos clássicos dos samurais e perdurou até à Segunda Guerra Mundial, até às lutas assanhadas do Pacífico.

É fácil perceber onde o Jiu Jitsu foi buscar esta ideia do quebrar ou vençer. Só que há quem no Jiu Jitsu misture erradamente dois conceitos distintos, o de querer vençer muito e o de achar que é desonra conceder a derrota para um adversário melhor.

São muitos os grandes lutadores que passam a mensagem de que numa final do grand slam, não bateriam. Não posso deixar de ouvir isso e de achar que são indivíduos com uma coragem muito acima da minha. Mas no segundo seguinte eu penso, que eu seria capaz de combater pela minha equipa no dia seguinte e o tal lutador corajoso, não.

Se estivermos numa situação em que somos confrontados com o seguinte pensamento:

“Bato ou não bato?”

Isso significa que já perdemos. Isso significa que apesar do nosso esforço todo para chegar aquela final, que apesar do todo o sangue e suor que derramámos, o nosso adversário foi melhor, pelo menos foi melhor naquele minuto.

Porquê contrariar a humildade que o Jiu Jitsu também defende e deixar que o nosso braço se quebre? Eu nunca competirei ao mais alto nivel e portanto eu sei que existe todo um Mundo de sacrificio e de espirito de entrega que eu nunca vou compreender ou alcançar, e se calhar por isso muitos dos que lerem este post vão pensar que estou errado e o mais certo é estar mesmo.

Mas não existe uma única razão alicerçada na lógica que defenda que um combatente se deve deixar lesionar propositadamente, ficando assim impedido de dar o seu contributo marcial para o seu Senhor/Equipa/País. Quem ler Sun Tzu, sabe que isto é verdade.

Chegar à Final do Campeonato do Mundo é um feito de proporções gigantescas. Perder apenas para o Campeão do Mundo é ficar a um milímetro da felicidade máxima. Partir um braço é estúpido.

Imaginem esta situação: O lutador A encontra o lutador B, tanto no Absoluto como no Peso, ambos chegam à final nas duas categorias.

Na primeira final o lutador A estica o braço do lutador B. Vale a pena deixar quebrar? “Não claro…ainda falta lutar a outra final.” – Pensa o B.

Chega na outra final e o lutador A, volta a esticar o braço do lutador B. Desta vez vai deixar quebrar? Se sim, porquê? Frustração? É que não é por uma questão de honra ou espírito marcial, porque senão tinha deixado quebrar na primeira vez, e se não deixou quebrar na primeira porque leu Sun Tzu, como é que se esqueceu de Sun Tzu na segunda?

O Renzo carrega nas costas um peso que nós não carregamos. Tem uma história que nós não temos, tem uma herança que nunca nos foi deixada.

Batam amigos… Batam até na Final do Mundo… Não é vergonha é até honrado reconhcer a mestria do adversário, pois só um Campeão para reconhecer outro Campeão.

By Zack