M. o faixa castanha

Na hora da rola a generosidade é meio caminho andado para um bom treino de parte a parte. Gosto de rolar com M. faixa castanha, de compleixão esguia e muito flexivel.

M. pratica Jiu-Jitsu desde tempos imemoráveis e porventura no seu percurso aprendeu que rolar com um cinto mais alto pode e deve ser em si um acto de aprendizagem, por isso sempre que rolo com ele consigo obter posições vantajosas, não por mérito meu, mas porque ele assim o permite, depois com enorme facilidade M. sai da enrascada e finaliza-me sem dificuldade.

Eu treino, sem ser massacrado, ele treina devagarinho… Mas a rola é sempre pedagógica para  mim, não porque ele explique qualquer coisa ou aconselhe relativamente a um qualquer aspecto, mas pelo simples facto de que a sua postura deixa a quem com ele treina tirar as suas próprias elações.

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por Zack

Regresso às origens.

O Jiu-Jitsu é na sua génese uma arte de Defesa Pessoal e julgo ter sido sob esse ponto de vista que Hélio sempre encarou a Arte Suave.  Apesar de Hélio e Carlos terem participado em eventos desportivos fizeram-no sempre numa perspectiva de divulgação da eficiência do então Gracie Jiu-Jitsu e nunca na perspectiva desportiva que domina hoje em dia o Jiu-Jitsu Brasileiro.

O Jiu-Jitsu actual corre o risco de pela forma como é ensinado nas Academias, lentamente deixar ficar para trás a tão eficiente componente de Defesa Pessoal em detrimento do BJJ desportivo, do BJJ dos pontos, do BJJ dos grandes campeonatos, com grandes prémios monetários… do BJJ dos Sheiks…

Isto pode ser constatado através de uma simples procura de Academias de BJJ pelo mundo fora, 90% delas nem sequer mencionam Defesa Pessoal nos seus sites e/ou bolhetins informativos. As galerias de imagens não fogem à regra e imagens dos campeonatos são tudo quanto se pode esperar encontrar.

No site da Academia onde tenho o prazer de treinar, na página inical e sob o título “Palavras do Professor“, o meu Mestre Sérgio Vita enumera algumas das razões pelas quais os seus alunos praticam BJJ e a primeira delas é: “Defesa Pessoal

E é tendo consciência deste desejo que de facto na minha Academia também se treina defesa pessoal paralelamente ao treino do BJJ orientado para a competição. O que estou convicto servirá os interesses da Academia a médio/longo prazo uma vez que estou certo que se fosse efectuado inquérito a todos os meus colegas a esmagadora maioria diria que começou a praticar BJJ como forma de Defesa Pessoal… obviamente que depois o gosto pelo BJJ enquanto desporto competitivo vem por arrasto.

E como a familia Gracie é uma máquina de fazer dinheiro (no offense), Rorion Gracie criou a marca registada Gracie Combatives… Que no fundo é um regresso às origens do Gracie Jiu-Jitsu enquanto arte de Defesa Pessoal. Podem ler algo sobre o assunto aqui.

por Zack

BJJ melhor que Viagra

Actualmente as artes marciais encontram-se novamente em expansão. Na Acabemia onde treino quase todas as semanas aparece alguém novo para se inscrever. Um adolescente com borbulhas, um tipo todo engravatado, não há regra, apenas mercado e com apenas uma semana de aulas o novo praticante sente-se “mais homem”, nota-se na sua postura corporal. Na forma como não se olha para o espelho para ver a evolução da musculatura, mas como se olha a ele próprio nos olhos. Redescobrindo-se. Reinventando-se.

 

O conceito de homem macho heterossexual a dada altura correu o risco de se  diluir no novo milénio, perdendo terreno para as conquistas do feminismo e do movimento gay, bombardeado pelo discurso do politicamente correcto, do liberalismo sexual e do igualitarismo da condição feminina, o homem-macho sentiu-se reprimido. Assim, só lhe restou uma forma de alterar o rumo das coisas e tentar preservar os valores tradicionais da sua qualidade, socorrendo-se de uma das formas de expressão mais primitiva, a luta.

 

Unir-se a seus pares e combater. Alguns destes homens procuram, inconscientemente, uma protecção da subversão da sua ideologia conservadora.

 

Lutando, o homem-macho do início do milénio, fortalece os valores que dão sentido à sua masculinidade. O triunfo pela força do seu próprio corpo, pela pujança da sua estrutura mental. Vencer outro Ser com pénis, é reforçar a masculinidade do próprio.

 

E aí, Hélio Gracie fez mais pelo homem-macho do que o Viagra.

 

De origem japonesa o Jiu-Jitsu, foi reinventado no Brasil pela família Gracie, que nos anos noventa catapultou esta arte marcial obscura para os palcos da fama quando Royce Gracie, filho de Hélio, pulverizou os campeonatos mundiais de combate corpo-a-corpo com retumbantes vitórias sobre praticantes de artes marciais já fortemente implantadas.

 

A febre do Jiu-Jitsu Brasileiro começou no Rio de Janeiro, mas rapidamente atingiu os Estados Unidos e a Europa, começando lentamente a ser usado como um vector de diferenciação por parte do homem-macho.

 

Mas a circunferência voltou a funcionar e o nicho criado por esta nova versão actualizada do género masculino, era tão consistente e peculiar, que atraiu a atenção de quem precisamente se queria distanciar. O que inicialmente deveria ser um contraponto ao politicamente correcto, acabou por ser acolhido de braços abertos pela mulher emancipada e pelo movimento gay, a primeira porque via no macho lutador um símbolo sexual e os segundos porque o viam como um ícone estilístico.

 

Mas o Jiu-Jitsu Brasileiro não teve a vida facilitada na sua terra natal, com ataques ferozes por parte da comunicação social, reflexo de alguns actos de vandalismo social cometidos por alguns jovens praticantes, pouco imbuídos do espírito marcial do desporto. Criatura alheias ao Código Bushido. O Jiu-Jitsu tornou-se bode expiatório e explicação para os desvios comportamentais de hordas de jovens imberbes que vestiam Hot Blood, Bad Boy, Hunter e Surfight. Marcas de roupa que representam hoje para o JJ o que a Quicksilver representou para o surf no início dos anos 90.

 

Incompreendido pelo quarto poder brasileiro, os media culpam o Jiu-Jitsu pela violência esquecendo que juventude transviada sempre existiu dentro de todas as sociedades. Na verdade desde a Bossa Nova que um fenómeno tipicamente brasileiro não alcança tanta repercussão no exterior. Só que em vez da música agora combate-se. Em vez de Tom Jobim e Vinícius, agora são Xande, Roger, Leonardo Vieira e Ronaldo Jacaré.

 

E à boa moda brasileira o negócio não poderia ficar para trás. Para além das roupas surgem inúmeras publicações sobre a arte marcial, com paginação e design de uma sofisticada revista de estilo. Pejadas de fotos com rapazes viris, exibindo vigor físico durante torneios ou simplesmente posando com quimonos de marca. O lutador passou a ter o mesmo glamour que os galãs das novelas e os astros do futebol. Os atletas transformam-se em referência de beleza e estilo. Há mesmo quem queira proibir combates de Jiu-Jitsu na televisão. Não pela violência, mas pelo erotismo.

 

por Zack

Ginásio Ludance

A meio deste ano a equipa de BJJ onde treino mudou de instalações. Mudámos para muito melhor sob o ponto de vista das condições de treino… um tatame excelente e um balneário em condições.

No entanto às vezes sinto uma certa nostalgia pelo antigo Ludance, extinto pelas Leis de Mercado o pequeno Ludance, húmido, antigo, mal ventilado encerrava em si um carisma muito grande e deixa saudades, afinal de contas foi lá que fiz a minha primeira aula de Jiu-Jitsu.

By the way and by the bush não perder entrevista de Fábio Fetter (companheiro de rola e bicho de faixa pretíssima)…aqui.

por Zack

Ritmo natalício

Esta semana ainda não treinei. Entre feriados, afazeres profissionais e uma constipação chata como ter um adversário nas costas, ainda não consegui vestir o kimono.

De manhã quando vou ao roupeiro buscar roupa para o dia, vejo os kimonos ali pendurados, como um lembrete que insiste em não parar de tocar… “Não andas a treinar!”

por Zack

Seminário com Marcus dos Santos

A Academia onde eu treino organizou nos últimos dois fins de semana um seminário com Marcus dos Santos, faixa preta de BJJ e experimentado lutador de MMA.

Foi interessante ver como pequenos detalhes, como uma pequena variação no ângulo da tua perna quando estás a fazer o armlock, podem significar a diferença entre o teu adversário vir para cima de ti ou continuar lá em baixo.

Pormenores que fazem a diferença.

Obrigado Marcus!

por Zack

A caminho da faixa seguinte.

Um conselho a todos os jovens praticantes de BJJ, como eu…
No inicio é muito recorrente o aluno comparar o seu Jiu-Jitsu com o de outros colegas de faixa ou outros colegas que entraram na Academia mais ou menos na mesma altura.

Na minha opinião isso é um erro colossal. O Jiu-Jitsu embora deva ser encarado como um desporto praticado no “seio de uma familia” que deve ser a tua equipa, deve por outro lado ser uma caminhada solitária, uma caminhada pautada pela luta do atleta “contra si mesmo”, contra os seus limites, procurando sempre ultrapassa-los.

É perigoso comparar Jiu-Jitsus, cada atleta é um atleta diferente e o que se deve avaliar num lutador é a consistência da sua técnica e a sua evolução desde o ponto zero.

Perder lutas?! Perdem-se lutas nos treinos por muitas razões, desde a disposição do atleta naquele dia, ao peso e motivação do colega de equipa.

Não deixes que as derrotas te desmotivem ou que te façam pôr em dúvida a tua aprendizagem, apenas o teu Professor tem capacidade para te avaliar como um todo, para avaliar a consistência do teu jogo, da tua técnica.

A tua caminhada no Jiu-Jitsu é um caminho a ser trilhado por ti… acompanhado por um bando de amigos… Mas trilhado por ti.

por Zack