BJJ melhor que Viagra

Actualmente as artes marciais encontram-se novamente em expansão. Na Acabemia onde treino quase todas as semanas aparece alguém novo para se inscrever. Um adolescente com borbulhas, um tipo todo engravatado, não há regra, apenas mercado e com apenas uma semana de aulas o novo praticante sente-se “mais homem”, nota-se na sua postura corporal. Na forma como não se olha para o espelho para ver a evolução da musculatura, mas como se olha a ele próprio nos olhos. Redescobrindo-se. Reinventando-se.

 

O conceito de homem macho heterossexual a dada altura correu o risco de se  diluir no novo milénio, perdendo terreno para as conquistas do feminismo e do movimento gay, bombardeado pelo discurso do politicamente correcto, do liberalismo sexual e do igualitarismo da condição feminina, o homem-macho sentiu-se reprimido. Assim, só lhe restou uma forma de alterar o rumo das coisas e tentar preservar os valores tradicionais da sua qualidade, socorrendo-se de uma das formas de expressão mais primitiva, a luta.

 

Unir-se a seus pares e combater. Alguns destes homens procuram, inconscientemente, uma protecção da subversão da sua ideologia conservadora.

 

Lutando, o homem-macho do início do milénio, fortalece os valores que dão sentido à sua masculinidade. O triunfo pela força do seu próprio corpo, pela pujança da sua estrutura mental. Vencer outro Ser com pénis, é reforçar a masculinidade do próprio.

 

E aí, Hélio Gracie fez mais pelo homem-macho do que o Viagra.

 

De origem japonesa o Jiu-Jitsu, foi reinventado no Brasil pela família Gracie, que nos anos noventa catapultou esta arte marcial obscura para os palcos da fama quando Royce Gracie, filho de Hélio, pulverizou os campeonatos mundiais de combate corpo-a-corpo com retumbantes vitórias sobre praticantes de artes marciais já fortemente implantadas.

 

A febre do Jiu-Jitsu Brasileiro começou no Rio de Janeiro, mas rapidamente atingiu os Estados Unidos e a Europa, começando lentamente a ser usado como um vector de diferenciação por parte do homem-macho.

 

Mas a circunferência voltou a funcionar e o nicho criado por esta nova versão actualizada do género masculino, era tão consistente e peculiar, que atraiu a atenção de quem precisamente se queria distanciar. O que inicialmente deveria ser um contraponto ao politicamente correcto, acabou por ser acolhido de braços abertos pela mulher emancipada e pelo movimento gay, a primeira porque via no macho lutador um símbolo sexual e os segundos porque o viam como um ícone estilístico.

 

Mas o Jiu-Jitsu Brasileiro não teve a vida facilitada na sua terra natal, com ataques ferozes por parte da comunicação social, reflexo de alguns actos de vandalismo social cometidos por alguns jovens praticantes, pouco imbuídos do espírito marcial do desporto. Criatura alheias ao Código Bushido. O Jiu-Jitsu tornou-se bode expiatório e explicação para os desvios comportamentais de hordas de jovens imberbes que vestiam Hot Blood, Bad Boy, Hunter e Surfight. Marcas de roupa que representam hoje para o JJ o que a Quicksilver representou para o surf no início dos anos 90.

 

Incompreendido pelo quarto poder brasileiro, os media culpam o Jiu-Jitsu pela violência esquecendo que juventude transviada sempre existiu dentro de todas as sociedades. Na verdade desde a Bossa Nova que um fenómeno tipicamente brasileiro não alcança tanta repercussão no exterior. Só que em vez da música agora combate-se. Em vez de Tom Jobim e Vinícius, agora são Xande, Roger, Leonardo Vieira e Ronaldo Jacaré.

 

E à boa moda brasileira o negócio não poderia ficar para trás. Para além das roupas surgem inúmeras publicações sobre a arte marcial, com paginação e design de uma sofisticada revista de estilo. Pejadas de fotos com rapazes viris, exibindo vigor físico durante torneios ou simplesmente posando com quimonos de marca. O lutador passou a ter o mesmo glamour que os galãs das novelas e os astros do futebol. Os atletas transformam-se em referência de beleza e estilo. Há mesmo quem queira proibir combates de Jiu-Jitsu na televisão. Não pela violência, mas pelo erotismo.

 

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por Zack

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