A herança nipónica

Depois de visto, é dificil esquecer o esgar de dor de Renzo Gracie quando viu o seu braço ser partido pelo demónio Sakuraba. Todos nos colocámos no lugar do brasileiro e pensamos o como deve ser horrivel e doloroso.  Há algo de nobre na mentalidade do “não bater”, mas também há algo de muito estúpido e suspeito que há mais de “muito estúpido” do que de “nobre” e porque imagino que os mais conservadores do pensamento jiu jiteiro já estejam a cuspir no monitor e a apagar o meu link dos seus Favoritos, passo já a justificar-me.

A dualidade Derrota-Desonra está muito alicerçada no pensamento japonês antigo em que o Samurai era um devoto do seu Senhor, por ele matava e por ele morria.  Lutavam até ao último homem e preferiam o suicídio à rendição. Esta lógica ultrapassou os tempos clássicos dos samurais e perdurou até à Segunda Guerra Mundial, até às lutas assanhadas do Pacífico.

É fácil perceber onde o Jiu Jitsu foi buscar esta ideia do quebrar ou vençer. Só que há quem no Jiu Jitsu misture erradamente dois conceitos distintos, o de querer vençer muito e o de achar que é desonra conceder a derrota para um adversário melhor.

São muitos os grandes lutadores que passam a mensagem de que numa final do grand slam, não bateriam. Não posso deixar de ouvir isso e de achar que são indivíduos com uma coragem muito acima da minha. Mas no segundo seguinte eu penso, que eu seria capaz de combater pela minha equipa no dia seguinte e o tal lutador corajoso, não.

Se estivermos numa situação em que somos confrontados com o seguinte pensamento:

“Bato ou não bato?”

Isso significa que já perdemos. Isso significa que apesar do nosso esforço todo para chegar aquela final, que apesar do todo o sangue e suor que derramámos, o nosso adversário foi melhor, pelo menos foi melhor naquele minuto.

Porquê contrariar a humildade que o Jiu Jitsu também defende e deixar que o nosso braço se quebre? Eu nunca competirei ao mais alto nivel e portanto eu sei que existe todo um Mundo de sacrificio e de espirito de entrega que eu nunca vou compreender ou alcançar, e se calhar por isso muitos dos que lerem este post vão pensar que estou errado e o mais certo é estar mesmo.

Mas não existe uma única razão alicerçada na lógica que defenda que um combatente se deve deixar lesionar propositadamente, ficando assim impedido de dar o seu contributo marcial para o seu Senhor/Equipa/País. Quem ler Sun Tzu, sabe que isto é verdade.

Chegar à Final do Campeonato do Mundo é um feito de proporções gigantescas. Perder apenas para o Campeão do Mundo é ficar a um milímetro da felicidade máxima. Partir um braço é estúpido.

Imaginem esta situação: O lutador A encontra o lutador B, tanto no Absoluto como no Peso, ambos chegam à final nas duas categorias.

Na primeira final o lutador A estica o braço do lutador B. Vale a pena deixar quebrar? “Não claro…ainda falta lutar a outra final.” – Pensa o B.

Chega na outra final e o lutador A, volta a esticar o braço do lutador B. Desta vez vai deixar quebrar? Se sim, porquê? Frustração? É que não é por uma questão de honra ou espírito marcial, porque senão tinha deixado quebrar na primeira vez, e se não deixou quebrar na primeira porque leu Sun Tzu, como é que se esqueceu de Sun Tzu na segunda?

O Renzo carrega nas costas um peso que nós não carregamos. Tem uma história que nós não temos, tem uma herança que nunca nos foi deixada.

Batam amigos… Batam até na Final do Mundo… Não é vergonha é até honrado reconhcer a mestria do adversário, pois só um Campeão para reconhecer outro Campeão.

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por Zack

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